Era noite - lembro-me como se fosse hoje. Estava em meu quarto, deitada no chão e olhando para o teto. Sem barulho, sem silêncio, só eu. Nunca havia me sentido assim, tão vazia. Nunca havia me encontrado assim, tão cheia de nada.
De peito pobre, comecei a rezar. Pedia, por favor, à Deus, que me enviasse alguma solução divina para tamanho eco. Passados alguns minutos sem resposta, me perguntei se Deus havia me escutado. Pedi mais alto. Tempo, tempo, tempo… nada. Estaria ele ocupado? Estaria ele me ignorando? Será que achou meu pedido desimportante? Comecei a me desesperar. “Deus não me deixaria na mão”, disse à mim mesma. “Deus não me abandonaria agora”.
Depois de tanto pedir, rezar e falar, sentia meu corpo se encher. A esperança completava o vazio de meu peito. Quem teria feito isso? Não sabia dizer. Apenas sentia o nada ir embora, dando lugar à fé. Fé em mim mesma.
Hoje, olhando para trás, vejo. Vejo que não foi obra de Deus, mas obra de Clara. Encontrei, em mim, o fio de esperança que necessitava para afinar minha vida naquele momento. Por isso, digo, sem muita certeza, mas recheada de fé, que a resposta de tudo está no peito dos desafinados, no fundo do peito que bate calado. Ali, também bate um coração.
0 comentários:
Postar um comentário