26 de dez. de 2011

Voe

Estou há dias me perguntando o que se passa comigo, ou melhor, contigo. Nunca havia visto alguém falar de forma tão certa, o que não tem tanta certeza assim. Por mais que não considere tanto as palavras, não acredito que somos feitos somente de atitudes. Na minha visão, o que falamos tem de ser coerente ao que sentimos e vice-versa, ao contrário da sua, que tem as palavras em concordância com as atitudes por somente uma fração de segundo.

Talvez possa estar errada, afinal, creio que seja impossível decifrar este enigma situado em sua cabeça. Ler você é como ler em português arcaico: me identifico com algumas palavras e até as entendo, porém, em ordem, não fazem sentido algum. Me pergunto, então, se você mesmo consegue entender a si.

Não nego teu encanto e, muito menos, teu sorriso. Foi pelo cheiro dos mesmos que me vi atraída por você. Aquela risada exagerada, o comportamento de moleque… o poder de ver as coisas de forma mais simples e leve. Tudo se tornou magnético, tudo se tornou necessário… tudo se repete, dia após dia. Não nego meu pranto e, muito menos, meu castigo. Foi pela angústia recheada nos mesmos, que me peguei escrevendo aqui. Aquela risada exagerada, parou de ecoar. O comportamento de moleque, continuou de moleque, até nas horas mais difíceis de lidar. O poder de ver as coisas de forma simples e leve, se metamorfoseou no poder de me magoar. Tudo se tornou alérgico, tudo se firmou desnecessário… tudo se repete, noite após noite.

Peço, portanto, que vá. Voe. Não me vejo forte o suficiente para suportar o efeito de tamanha droga, de novo e de novo. Vá. Ecoe. Grude sua praga em outros corações, mas me permita purificar o meu. Se permita purificar o teu. Quando se ver limpo, quando se ver certo, quando sentir o peito cheio de certezas, volte. Volte, pois estarei igualmente limpa, levemente errada e sentindo meu peito pulsando uma única certeza: sempre hei de querer você.

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